Alíquota da Reforma Tributária sai em outubro, mas sua PME já está atrasada: o que fazer em 18 dias
O prazo para PMEs do Simples Nacional escolherem seu regime de 2027 termina em 18 dias, mas a alíquota final só sai depois. Entenda o dilema e saiba como agir.
O relógio está correndo: 30 de setembro é o prazo final
O calendário da Reforma Tributária avança, e para as pequenas e médias empresas optantes pelo Simples Nacional, setembro de 2026 é um mês decisivo. O prazo final para uma escolha que impactará diretamente o caixa e a competitividade do seu negócio em 2027 termina em 30 de setembro. Faltando pouco mais de duas semanas, a urgência é real, mas a decisão precisa ser tomada no escuro.
O dilema é o seguinte: até essa data, sua empresa precisa definir como irá recolher os novos tributos que unificam o consumo no Brasil, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). A questão é que a alíquota exata desses impostos só será conhecida depois do prazo.
As duas opções na mesa
Para o primeiro semestre de 2027, o empreendedor do Simples Nacional terá que optar por um de dois caminhos:
- Manter o recolhimento unificado: Continuar pagando todos os tributos em uma única guia, como já acontece hoje. A vantagem é a simplicidade, mas pode haver uma grande desvantagem competitiva, como veremos a seguir.
- Adotar o modelo híbrido: Apurar a CBS e o IBS separadamente, no regime regular (não cumulativo), enquanto os demais impostos continuam na guia única do Simples. Este modelo é mais complexo, mas permite que sua empresa gere créditos tributários integrais para seus clientes.
Vale lembrar que o prazo de adesão para novas empresas que desejam entrar no Simples Nacional em 2027 também foi antecipado para 30 de setembro de 2026. Se sua empresa já é optante e não foi excluída, não precisa fazer uma nova adesão, apenas a escolha do modelo de recolhimento.
O dilema: decidir sem saber o valor do imposto
A maior dor de cabeça para o empresário é que essa escolha estratégica precisa ser feita sem a informação mais importante: o valor da alíquota. O Tribunal de Contas da União (TCU) tem até 30 de outubro de 2026 para divulgar os estudos que definirão a alíquota de referência. Depois disso, o Senado Federal terá até 15 de dezembro para fixar o valor final.
Ou seja, você decide em setembro como vai pagar um imposto cujo valor só saberá, na melhor das hipóteses, em outubro e, em definitivo, no final do ano. É uma aposta com impacto direto na saúde financeira do negócio.
Por que essa escolha pode custar clientes?
A decisão entre o modelo unificado e o híbrido vai muito além da complexidade da apuração. Ela afeta diretamente sua competitividade, principalmente se você vende para outras empresas (o chamado mercado B2B).
No novo sistema, quando uma empresa compra um produto ou serviço, ela acumula um "crédito" referente ao imposto pago naquela operação. Esse crédito pode ser usado para abater o imposto que ela pagaria em suas próprias vendas. É um mecanismo para evitar o imposto em cascata.
O ponto crucial é: no modelo híbrido, sua PME poderá repassar o crédito integral de IBS e CBS para seu cliente. No modelo unificado, o crédito gerado será muito menor. Na prática, se seu cliente for outra empresa, ele terá uma vantagem financeira ao comprar de um fornecedor que está no regime híbrido. Se você optar por continuar na guia única, seu produto ou serviço pode se tornar, na prática, mais caro para seu cliente B2B, que poderá buscar um concorrente que lhe ofereça mais crédito.
Um cenário desafiador: PMEs endividadas e despreparadas
Essa decisão complexa chega em um momento delicado. Uma sondagem recente, de julho de 2026, apontou que quase metade das pequenas e médias empresas ainda não havia começado a se planejar para a transição tributária. O atraso é preocupante, pois 2026 já é considerado um ano de teste, no qual as empresas são obrigadas a destacar a CBS (com alíquota simbólica de 0,9%) e o IBS (0,1%) em seus documentos fiscais para adaptação dos sistemas.
Para complicar, o cenário financeiro não é favorável. Em agosto de 2026, o número de empresas com impostos atrasados e inscritas na dívida ativa atingiu um recorde de 20% do total de negócios no país, quase o triplo do percentual registrado em 2020.
O que fazer nos próximos 18 dias? Um guia prático
Apesar da incerteza, a inércia não é uma opção. Ficar parado pode custar caro. Aqui estão alguns passos práticos que você pode e deve tomar imediatamente:
1. Olhe para dentro: Quem são seus clientes?
A primeira análise é interna. A maior parte da sua receita vem de vendas para o consumidor final (B2C) ou para outras empresas (B2B)?
- Se você é majoritariamente B2B: A opção pelo regime híbrido é quase obrigatória para não perder competitividade.
- Se você é majoritariamente B2C: O regime unificado do Simples pode continuar sendo o mais vantajoso pela simplicidade, já que seu cliente final não aproveita créditos tributários.
2. Chame seu contador para uma conversa urgente
Este não é o momento para decisões solitárias. Seu contador é o profissional mais qualificado para analisar os números do seu negócio e projetar os impactos de cada cenário. Leve a análise da sua carteira de clientes e peça para ele fazer simulações.
3. Simule cenários, mesmo sem a alíquota final
Peça ao seu contador para projetar os custos de cada regime (unificado vs. híbrido) usando as alíquotas que estão sendo especuladas pelo mercado. Teste cenários com 25%, 26,5% e 27,5%, por exemplo. Isso dará uma visão mais clara do impacto financeiro de cada escolha, mesmo que não seja o número exato.
4. Verifique seu sistema de gestão
Seu software de emissão de notas e gestão financeira está preparado para a Reforma Tributária? Ele consegue lidar com o destaque dos novos impostos, que já é obrigatório em 2026? E mais importante: ele terá flexibilidade para operar no modelo híbrido, caso essa seja sua escolha? Verifique com seu fornecedor de software se a plataforma está atualizada e pronta para a transição.
O tempo é curto e a decisão, complexa. Mas com análise, planejamento e o apoio dos parceiros certos – seu contador e um bom sistema de gestão –, é possível atravessar essa fase de transição com mais segurança e garantir que sua empresa continue crescendo no novo cenário tributário brasileiro.
Matéria produzida pela Redação Playsoft com apoio de inteligência artificial e revisão editorial.